domingo, 13 de setembro de 2009

A batina é uma veste que deve ser usada essencialmente por diáconos, padres e bispos, o que não impede de seminaristas usarem para que já sejam "habituados", literalmente, a usarem a veste própria de um sacerdote Tem 33 botões na frente, que representam a idade de Cristo e 5 botões na manga, que representam as 5 chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Pode ser encontrada nas cores branca, cinza, roxa, preta e vermelha.
A batina é uma veste litúrgica obrigatoria para padres e significa a morte do padre para o mundo, o seu luto, com um colarinho branco representando a pureza. É também uma forma de identificação.
É bom lembrar que não foi abolido o uso da batina e que a exceção dada pelo Concílio Vaticano II não é de forma alguma um decreto de que não se deve, não se pode, mas pelo contrário, a batina continua sendo um veste própria do padre e que na medida do possível não deve ser dispensada.

Sobre o Amito

O amicto ou amito (do latim amictus, anaboladium) é uma das vestes sagradas usadas na liturgia católica e em certos sectores do anglicanismo.
É um rectângulo de tecido branco, normalmente de linho ou algodão e com uma cruz ao meio, tendo fitas ou cordões em duas das pontas. Serve para colocar à volta do pescoço, atando-se no peito com as fitas. Todos os ministros que vestem alva, podem vestir o amicto. O seu uso é obrigatório sempre que a alva ou túnica não cubra totalmente a roupa que se usa por debaixo na zona do pescoço.
Ao vestir o amicto o ministro diz: "Senhor, colocai sobre a minha cabeça o capacete da salvação, para que possa repelir todos os assaltos diabólicos."

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Insignias Episcopais

As insígnias episcopais compreendem objetos que simbolizam o poder, a jurisdição, a prudência, o amor e a fidelidade do bispo à Igreja e àqueles que lhe foram confiados. São insígnias pontificais: mitra, báculo, anel, cruz peitoral e pálio (CB 57). Normalmente todos os bispos têm direito ao uso dos 4 primeiros (estes também são concedidos aos abades, como falaremos em outra ocasião). O pálio, feito com lã de ovelhas oferecidas ao Papa no dia de Santa Inês, 21 de Janeiro, é concedido aos arcebispos e patriarcas pelo Romano Pontífice. Tal cerimônia se dá no dia 29 de Junho na basílica de São Pedro, na solenidade de São Pedro e São Paulo (ver fa última foto). O anel e a cruz devem ser sempre usadas, mesmo quando não se usa batina.

A mitra, segundo o cerimonial dos bispos, é usada “quando está sentado; quando faz a homilia; quando faz as sauda­ções, as alocuções e os avisos; quando abençoa solenemente o povo; quando executa gestos sacramentais; quando vai nas procissões.”
O Bispo não usa a mitra: “nas preces introdutórias; nas orações; na Oração Universal; na Oração Eucarística; durante a leitura do Evange­lho; nos hinos, quando estes são cantados de pé; nas procissões em que se leva o Santíssimo Sacramento ou as relíquias da Santa Cruz do Senhor; diante do Santíssimo Sacramento exposto.”
O Bispo pode não usar a mitra quando tiver que tirá-la em seguida, ou quando deslocar-se em uma distância pequena e logo na seuquência tenha que tirá-la. À esquerda uma mitra ornada com o brasão do papa João Paulo II bordado às ínfulas (faixas na parte trazeira). (CB 60)





O báculo é usado apenas no território de jurisdição do bispo ou fora dele com consentimento do ordinário do lugar. O bispo usa o báculo, com a curva voltada para frente, “na procissão, para ouvir a leitura do Evangelho e fazer a homilia, para receber os votos, as promessas ou a profissão de fé; e finalmente para abençoar as pessoas, salvo se tiver de fazer a imposição das mãos.” (CB 59) À esquerda, uma imagem de Santo Agostinho sendo tentado pelo demônio. O santo, Bispo de Hipona, porta visivelmente mitra e báculo, este com a curva coltada para frente. À direita um bispo porta visivelmente o báculo, além da mitra e da cruz em cordão verde. Aparentemente, o anel na mãi direita é beiado por uma senhora.

O Papa usa, no lugar do báculo, a férula que é uma espécie de cruz ástil, sem o crucificado. Atualmente Bento XVI usa uma férula dourada, anteriormente usada por João XXIII. Nas fotos abaixo os papas João XIII e Bento XVI porta a férula à mão esquerda.






A cruz peitoral é usada sobre todas as vestes, exceto a casula, pluvial e a dalmática. (CB 61) Todavia, por especial concessão, o bispo pode usar a cruz sobre a casula. O cordão que sustenta a cruz, em ocasiões litúrgicas (com vestes corais ou paramentos) é verde-dourado (CB 63) para os bispos e arcebispos,
vermelho-dourado para os cardeais (CB 1205 c) e dourado para o Papa. Nas fotos vemos o papa João Paulo II, um bispo e um cardeal com seus respectivos cordões.


















Em ocasiões não liturgicas, a cruz peitoral é usada em cordão dourado simples (CB 1204), como a foto do papa Bento XVI, embora não seja proibido os bispos usarem o cordão simples durante as ações litúrgicas (exeto nas vestes corais, onde o cordão verde-ouro é obrigatório). Os arcebispos podem usar a cruz de dupla aste, como Dom Orani na foto.
















O pálio, no rito romano ordinário, é usado pelos arcebispos somente sobre a casula, não sobre o pluvial ou outro paramento, tampouco sobre as vestes corais. O arcebispo o usa apenas dentro do seu território de jurisdição, o que engloba a arquidiocese e as dioceses sufragâneas; na missa em que o recebe e nas demais celebrações pontifícias em que concelebre. (CB 62)
Na primeira foto, acima, temos o Papa usando seu pálio com cruzes vermelhas (as dos arcebispos são negras) e os cravos. Na outra foto o papa concedendo o pálio a um arcebispo.

Como podemos observar, as insígnias episcopais carregam grande significado teológico, além de possuírem regras próprias de uso, grande parte delas definidas no Caereminiale Episcoporum (Cerimonial dos Bispos). É, pois, lamentável que tais regras sejam descumpridas, pondo a perder todo o bem pastoral que proporciona o uso correto de tão preciosos símbolos, que destacam a ação pastoral do bispo como Sumo-Sacerdote da Igreja de Deus. De igual maneira, belas inígnias usadas de maneira correta, tornam a liturgia mais bela e mais evangelizadora. Os bispos podem ainda usar dalmática, cáligas e luvas pontificais, o que será tratado em postagem própria.

Monsenhores

 
  
  

O Monsenhor é um título eclesiástico honorifico conferido aos sacerdotes da Igreja Católica Apostólica Romana pelo Papa. A palavra tem origem francesa e, em português, pode ser abreviada como Mons. O título "Monsenhor" começou a ser usado pelos eclesiásticos do Papa em Avignon (1305-1376) quando os papas viviam na França e foi quando a burocracia papal e poder papal atingiu o seu apogeu.


Alguns importantes clérigos do tribunal papal haviam então consagrado do francês secular o termo: mon seigneur (meu senhor) ou "milord" (do inglês).


Apesar de somente o Papa conferir o título de Monsenhor, ele o faz a pedido do bispo diocesano por meio da Nunciatura Apostólica. O número máximo de monsenhores de uma diocese não pode, normalmente, ultrapassar 10% do total de sacerdotes. O Monsenhor não tem uma autoridade canônica maior que a de qualquer padre, uma vez que a nomeação não implica num sacramento da ordem. Assim o monsenhor só se distingue de um padre comum pelo título. Em alguns países os bispos também são referidos como monsenhor(Monsignore), em contrates a forma tradicional de tratamento (Excelência, Vossa Excelência Reverendíssima, Vossa Graça, etc). Muitos padres que desempenham funções na Cúria Romana recebem o título, devido ao alto cargo que ocupam na administração da Igreja Católica.


Uma série de mudanças na função dos Monsenhores foram introduzidas pelo Papa Paulo VI através do Motu Próprio Pontificalis Domus de 28 de março de 1968. Antes destas reformas, os prelados monsenhores ou menores foram divididos em pelo menos 14 diferentes graus, incluindo prelados internos, quatro tipos de Protonotários apostólicos, quatro tipos de camareiro papal e, pelo menos, cinco tipos de capelães papais.


Existem algumas categorias do título de Monsenhor:

1. Protonotário Apostólico: em dois tipos:
A) Numerário: O mais alto grau e menos comum, habitualmente existe uns sete.
B) Supranumerário: O mais alto grau de Monsenhor encontrado fora de Roma.

2. Prelado de Honra de Sua Santidade: Antes era chamado de "Prelado Doméstico");

3. Capelão de Sua Santidade. Antes era chamado de "Camareiro Papal” ou "Capelão privado” e ainda "Capelão Secreto”.

Quando se escolhe um Administrador Diocesano na Sé Vacante , o mesmo por costume recebe o título de “Protonotário Apostólico Numerário” de modo temporário. São monsenhores titulares, ou seja, ate que estejam na posse do cargo, e por isso devem ser tratados de “monsenhores”.

Os “monsenhores temporários” têm o privilégio de usar uma Manteleta de cor Negra. E por isso em alguns países ele é chamado de “Negro Protonotário”. Os títulos honoríficos como o de “Monsenhor” não são considerados adequados para um sacerdote do clero religioso.


Requisitos para receber o título de Monsenhor:


A Secretaria de Estado do Vaticano determinou após o Concilio Vaticano II e encaminhou a Congregação para o Clero que para receber o título de:


  • Monsenhor Capelão de Sua Santidade. O sacerdote deve ter no mínimo: 35 anos de idade e 10 de sacerdócio.
  • Monsenhor Prelado de Honra: O sacerdote deve ter no mínimo: 45 anos de idade e 15 de sacerdócio.
  • Monsenhor Protonotário Apostólico supranumerário: O sacerdote deve ter no mínimo: 55 anos de idade e 20 de sacerdócio.
  • Obs.: Aquele que já tiver o título de vigário-geral não deve ser nomeado apenas Capelão Papal e sim Prelado de Honra.
Por fim: Os protonotários numerários continuam o trabalho do Colégio dos Protonotários e ainda possuem alguns deveres no trato dos documentos papais. Outros superiores da cúria Romana que não são bispos são tratados como protonotários numerários. A estes se incluem os auditores da Rota Romana, quatro clérigos da Câmara Apostólica e alguns outros.

Vestimentas Episcopais




Vestes Episcopais após o
Concílio Ecumênico Vaticano II 

No exercício de sua vigilância para toda a Igreja e na observância das indicações e do espírito do Concílio Ecumênico Vaticano II. Sua Santidade o Papa Paulo VI, tendo a dedicação e atenção para certas formas exteriores da vida eclesiástica, com a intenção de pô-las em mais estreita correspondência com a evolução das circunstâncias da época, fez algumas mudanças ao tocante as normas anteriores ao Concilio Vaticano II.

O Santo Padre deu instruções para a publicação de determinadas normas em matéria de vestir e de outras prerrogativas aos senhores Cardeais (N º 3711 de Referência da Sagrada Congregação para Cerimonial, de 6 de junho de 1967), constituiu um Motu Próprio sobre a reorganização do Pontifical para uso doméstico ( "Pontificalis Domus" de 28 de março de 1968), e depois outro Motu Próprio, complementado a Instrução da Sagrada Congregação dos Ritos, sobre a utilização das insígnias pontificais( "Pontificalia Insignia", de 21 de junho de 1968; despacho da mesma data, R. Referência No. 32/968).


Ficou determinado desde então pelo
Papa Paulo VI, através de Motu Próprio em 1968:


Para os Cardeais:


1. Os seguintes continuam em uso: a batina vermelha de lã ou material similar com guarnições, forro, botões e fio de seda vermelho-claro, e a mozeta do mesmo material, mas sem o pequeno capuz.


A manteleta fica abolida.


2. Continua em uso a batina preta com guarnições, forros e botões de seda vermelha, mas sem colocar na parte superior das mangas.

O comprimento da muzeta vai até o cotovelo.


3. Da mesma forma da batina vermelha é usada na batina preta a faixa de cor vermelha, em seda com franjas nas duas extremidades.


A faixa com borlas é abolida.


4. Quando usar a batina vermelha, a meia deverá ser vermelha. Quando vestir a batina preta as meias vermelhas são opcionais.

5. O barrete deve ser usado somente com a veste coral e não com o traje comum.


6. A utilização da capa de seda vermelha ("ferraiuolo") já não é obrigatória para as audiências com o Papa ou cerimônias realizadas na presença do Santo Padre. Seu uso é opcional, noutros casos, também. Mas deverá sempre ser limitada a circunstâncias especiais de solenidade.

7. O grande manto vermelho solene ("tabarro") é suprimido. Em seu lugar se use uma capa negra.


8. O chapéu vermelho cardinalício ("galero") e o chapéu vermelho em pelúcia são suprimidos. O chapéu preto em pelúcia se mantém. Quando necessário, ele pode ser adornado com cordões e borlas em vermelho e dourado.


9. O uso de sapato de fivelas em cor vermelha (sandálias), e sapatos pretos com fechos de prata, ficam reprimidos.

10. O Roquete de linho, ou material similar, seja mantido.


11. A capa magna, em pele de arminho, já não é obrigatória, ela só pode ser utilizada fora de Roma em circunstâncias muito especiais de solenidade.


12. A utilização do cordão da cruz peitoral se mantém. Deve ser usado somente quando for usar as vestes sagradas e a batina. 
 
Para os bispos:

13. Por analogia com o que foi permitido para Cardeais, a batina violácea, o mozeta sem o capuz pequeno, a batina preta com acabamento em vermelho são conservados.

A mozeta pode ser usada em qualquer lugar, até mesmo pelos bispos titulares.
A manteleta fica abolida.


A batina preta com forro em tecido vermelho já não é obrigatória para o ordinário.

14. O uso do chapéu preto em pelúcia com cordões e borlas verdes fica reservado aos bispos. Tanto os residenciais e titulares, está mantido.

15. Bispos nomeados a partir de Ordens Religiosas e Congregações irão usar a batina violácea, e os acabamentos em vermelho da mesma forma que outros Bispos.
 

"CASULAFOBIA"

 
  
 



A “CASULAFOBIA”
 
Antes do Concílio Vaticano II, me parece que os sacerdotes eram mais piedosos ou tinham medo de errar ou desobedecer a alguma norma prevista pelo Missal Romano ou ditado por algum livro oficial da Santa Sé. Mas após o Concílio essas normas(para o novo Rito )também são encontradas no novo missal de Paulo VI. E por que observamos diversos sacerdotes que não seguem quase nenhuma rubrica ou norma litúrgica? Será que nos seminários não se ensina mais liturgia como no “tempo tridentino” ?

Até onde eu sei a cadeira de liturgia é obrigatória pelo direito Canônico nos cursos semináristicos e de bacharelado em Teologia. Creio o que mudou foi as ideologias ensinadas através da Teologia da Libertação e pelo liberalismo maléfico embutido nas mentes dos seminaristas durante a formação e de padres idosos. Antes se ensinava o respeito e obediência pelo que a Santa Sé determinava hoje em dia depois dessas heresias penetradas em nossa conjuntura eclesial pós Vaticano II. É ensinado que normas litúrgicas é coisa para o Papa e os chamados “tradicionalistas”. O que sabemos que não é!

Será falta de interesse dos padres de procurarem nos livros o que é certo ou errado fazer, durante a Missa ou outro ritual da liturgia romana? Creio que também podemos salientar essa questão problemática, enfrentada principalmente nos países latino-americanos. Que é fortemente influenciado pela Teologia da Libertação. Observamos essa falta de interesse principalmente pelos padres que viveram o tempo do extremo rigor e dedicação a liturgia romana. Parece ironia, mas a maioria dos sacerdotes que celebraram por muitos anos em tridentino, hoje não seguem da mesma forma esse rigor no Rito Novo.

O mau exemplo, muitas vezes é do próprio bispo ou outro superior hierárquico. Que se faz de cego ou omisso em relação ao que se deve fazer na liturgia da santa missa ou em outro ritual. Na Ortodoxia Oriental, fazer algo de errado na liturgia ou modificá-la é o mesmo que pecar. Garanto se esse pensamento fosse embutido na mente dos idosos e novos sacerdotes teríamos o resplendor e disciplinamento litúrgico em toda a Igreja Romana (Latina).

Muitos defendem um liberalismo provocado pelo próprio Concílio Vaticano II, o que uma breve leitura nos documentos oficiais veremos que isso não existe. Existem sim exceções singelas autorizadas pela Santa Sé a algumas culturas locais (como na Africa). Que não tem comparação com o abuso e aberrações que observamos em muitas dioceses através de fotos na internet, vídeos e observações pessoais. Algumas vezes são erros básicos que não eram para acontecer. Tudo em nossa vida exige normas, ao dirigir um carro por exemplo temos de passar as marchas certas nas horas certas, ao operar uma maquina, o computador um sistema entre outras coisas. Na Liturgia é a mesma coisa, o missal em seu inicio vem com o que chamamos de Instrução Geral do Missal Romano. Que deve ser lido pelo padre no período em que ele foi seminarista e depois de ordenado em tempos e tempos. Pois as vezes esquecemos de tantas regras a serem seguidas. A prática nos ajuda a não esquecer de tais normas e também a preparação da liturgia consultando o missal e os livros litúrgicos.

O “Casulofobia” foi um termo que eu inventei para caracterizar o motivo seguindo uma explicação psicológica para o não uso da casula por alguns padres. Seria uma fobia , um medo, aversão de usar casula. Alguns padres só usam casula no domingo ou na festa do padroeiro(a). O que não tem nenhuma base oficial documental. O único indulto que temos noticia que foi conferido a CNBB em 1971, foi a opção de usar casula para presidir a Missa, quando essa for realizada fora de um templo (igreja) ou oratório. Mesmo assim é uma opção.

Fala-se neste caso de um misto entre alva e casula ou mesmo só a túnica e a estola por cima. Só que alguns padres entenderam que isso valeria para a celebração dentro da igreja, o que é errado!

O que ensina o Missal romano? Vejamos:

Para o sacerdote: alva(ou túnica),estola e casula ou planeta(IGMR 119),

A veste própria do sacerdote celebrante, tanto na missa como em outras ações sagradas em conexão direta com ela, é a casula ou planeta sobre a alva e a estola.(IGMR, 337)

Os concelebrantes vestem, na secretaria ou noutro lugar adequado, os paramentos que usam normalmente ao celebrarem a missa. Se houver motivo justo, como, por exemplo, grande número de concelebrantes e escassez de paramentos, podem os concelebrantes, exceto sempre o celebrante principal, dispensar a casula ou planeta, e usar apenas a estola sobre a alva.”(IGMR, 209)

Ou seja, para presidir a Santa Missa, o padre ou bispo é obrigado a usar casula, seja essa missa até mesmo privada a comunidade religiosa ou seminaristica.

Alguns padres religiosos até mesmo não usam a Alva. Preferem transformar o habito religioso como se fosse uma alva e usar a estola por cima da mesma. O que é proibido! (na foto)
Rezemos que esses padres mudem de atitude e que os novos padres sigam o que diz o missal e a Santa Sé.
Está reprovado o uso de celebrar, ou até concelebrar, só com a estola em cima da cógula monástica (nota do autor:., hábito religioso), em cima da batina ou do traje civil. (Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Instrução Liturgicae Instaurationes, 8 c)
O sacerdote deve estar lembrado de que ele é servidor da sagrada liturgia e de que NÃO lhe é permitido, por própria conta, acrescentar, tirar ou mesmo mudar qualquer coisa na celebração da missa. (Sacrosanctum Concilium, 22 / Instrução Geral do Missal romano (Edição 2002) , 24 )

Bispos do nordeste adotam medidas para prevenir Gripe A

Seguindo a recomendação do Ministério da Saúde, algumas arquidioceses brasileiras estão tomando medidas preventivas contra a Gripe A (H1N1). Os bispos do Nordeste da CNBB pedem aos fiéis e às dioceses que reforcem os cuidados para prevenir a transmissão da doença. Entre as sugestões, está a de que o fiel que apresentar os sintomas evite comparecer aos encontros de sua Paróquia e busque assistência médica. A nota recomenda, ainda, que o abraço da paz e as orações de mãos dadas sejam evitadas durante a Santa Missa. A Comunhão deve ser recebida nas mãos e, não será dada em duas espécies (pão e vinho). “Todas as medidas devem ser tomadas enquanto o risco de contaminação da doença continuar”, pede o texto. Os bispos recordam aos celebrantes a necessidade de lavar bem as mãos antes da Celebração e da Comunhão, sempre com álcool gel e, proibiram o uso de água benta nas entradas das igrejas. De acordo com o último balanço oficial da Organização Mundial de Saúde (OMS) 421 pessoas já morreram no Brasil vítimas da nova gripe. As orientações são dirigidas, especialmente, para os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Embora a CNBB não tenha divulgado orientações nacionais, várias dioceses do país adotaram procedimentos semelhantes.

"Anjos e demônios desperta a ira da Igreja Católica antes mesmo da estreia"

O Globo

Enquanto cresce a expectativa quanto ao lançamento de "Anjos e demônios", a Igreja Católica, que declaradamente repudia a obra do escritor Dan Brown, aumenta o tom das críticas ao novo filme de Ron Howard. Estrelado por Tom Hanks e Ewan McGregor, o sucessor do polêmico "O Código Da Vinci" (mas que se passa num tempo anterior a este) está sendo duramente atacado por líderes católicos antes mesmo de sua estreia mundial, programada para 15 de maio. 
 
 

O filme, adaptação do best-seller de Brown, é centrado num complô dos Illuminati, uma sociedade secreta de intelectuais que pretende se vingar de um massacre orquestrado, século atrás, pelo Vaticano. Apesar de os Illuminati existirem de fato, não há registro histórico de que seus membros tenham sofrido qualquer matança. E esse é só o primeiro dos pontos que a Igreja contesta no filme.

"Isso é uma imundície completa", protestou o bispo de Nottingham, reverendo Malcolm McMahon, em entrevista ao jornal inglês "Daily Telegraph". Ele está preocupado com as reações que o filme pode causar. "É perverso provocar este tipo de sentimento anticatólico. É uma agressão gratuita à Igreja e eu não consigo ver razão para isso."

A exemplo do "Código", "Anjos e demônios" foi produzido para ser um blockbuster. E enfrentou a oposição da Igreja desde o início da produção, a quem foi negada permissão para filmar no Vaticano. Para driblar o veto e poder recriar cenários fiéis a locais como a Basílica de São Pedro, uma legião de fotógrafos e cinegrafistas se infiltrou entre turistas para fotografar e filmar tudo o que vissem pela frente.

"Normalmente nós lemos os roteiros. Mas desta vez não foi preciso - o nome Dan Brown bastou", explicou um porta-voz do Vaticano para negar a permissão de filmar lá. 
Ron Howard apimentou a briga ao dizer que os católicos vão gostar de seu filme. Nele, o professor Robert Langdon (Tom Hanks) corre contra o tempo para tentar deter os planos dos Illuminati de desintegrar a cúpula do Clero com uma bomba durante um conclave para eleger o novo Papa.

"Deixe-me ser bem claro: nem eu nem 'Anjos e demônios' somos anticatólicos. E deixe-me levantar uma pequena controvérsia: acredito que católicos, incluindo muitos na hierarquia da Igreja, vão gostar do filme pelo que ele é - um mistério excitante, rodado em meio à beleza espantosa de Roma", disse Howard.

Em "O Código Da Vinci", a maior bronca da Igreja era pelo romanceado envolvimento de Jesus Cristo com Maria Madalena, que teria concebido um filho seu. Retratado como uma influente facção católica no "Código", o Opus Dei fez coro às críticas à trama do novo filme. "É bizarra, uma fabricação total. Eu me sinto ofendido, como outros católicos, mas não quero perder muito tempo pensando nisso", menosprezou Jack Valero, porta-voz do Opus Dei na Inglaterra. 
"Não acreditamos que o filme seja anticatólico, nem que as cerca de 40 milhões de pessoas que leram o livro ficaram confusas, pelo simples fato de que 'Anjos e demônios' é um 'thriller' de ficção", defendeu o longa, por sua vez, Steve Elzer, vice-presidente sênior da Sony Pictures, distribuidora do filme.

O reverendo McMahon, que cuida do departamento de evangelização e catequese da Igreja, afirmou que os fiéis estão "cansados" dos "sensacionalismos" e "complôs inventados" por Brown em suas obras e nas adaptações de seus livros para o cinema. "Eu não acho que os católicos vão se dignar a ver isto", disse.

"Anjos e demônios", o livro, inclui ainda outros temas que deixam os católicos de cabelo em pé. Como, por exemplo, um papa que planeja conceber um filho via inseminação artificial - um drible e tanto no voto de celibato, que a Sony Pictures não quis confirmar se estará no filme.

Para Bill Donahue, presidente da Liga pelos direitos civis e religiosos dos católicos, tanto faz. Ele acusou tanto Brown como Howard de "caluniarem a Igreja Católica com contos fantásticos e fictícios". Donahue não engole as misturas entre fatos, ficção e teorias conspiratórias levantadas pela dupla. "Eles não ousariam fazer isso com outra religião", reclamou.
Bom, para começar vejamos a reportagem do Jornal O Globo: "Anjos e demônios desperta a ira da Igreja Católica antes mesmo da estreia"...A IRA DA IGREJA CATÓLICA. Acho, caro leitores, que nem preciso argumentar sobre tal infamidade e absurdo.

Não podemos esquecer que Ron Howard vende a todos a ideia de que a "Igreja Católica" está contra o filme, de certa forma ela está, mas usam isso como artifício para promover o filme. E realmente o livro ataca mais a nossa Igreja, já o filme vejo que não se preocupou com isso, passou mais como um filme de ação e aventura, apesar de querer mostrar uma má imagem do Colégio Cardinalício e querer dizer que os Representantes de Cristo são ambicioso, gananciosos e estariam dispostos a tudo para obter o poder.
É uma pena e um verdadeiro ato de apostasia a fé, e a moral Católica Apostólica Romana. O filme em si nada nos acrescenta, é um ficção que usa como foco a Santa Igreja em jogos de conspirações, manipulações, ataques e ofensas.
Mas também não poderia omitir a relevância em que o filme nos mostra (apesar de muitos erros na tradição apostólica e na liturgia) os monumentos e as mas soberanas igrejas do Vaticano e de Roma, a escolha do Sucessor de São Pedro (o Conclave), o Colégio dos Cardeais, a Sede Vacante, entre outros aspectos que podemos observar desde o início ao fim do filme e digo que é uma pena que não projetem isso tudo na edificação da Igreja de Cristo.
Criticar a Igreja é a coisa mais fácil do mundo, pois ela é constituida de homens, o difícil mesmo e viver e sê-la na pessoa de Cristo!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Desabafo - Até Quando ???

Até quando teremos que aturar padres sem batina ou sem clergyman? Sacerdotes que, em vez de ostentar sua incorporação a Cristo pelo sacramento da Ordem, escondem-se do povo, disfarçando-se de leigos?

Até quando teremos de aturar Missas que em nada nos indicam seu caráter ontologicamente sacrifical? Palmas ritmadas acompanhando músicas de melodia, harmonia e ritmo absolutamente inadequados, com uma pobreza infantil nas letras? Manifestações desmedidas de alegria quase profana durante a atualização do Calvário? Padres que não vestem os paramentos corretos, sem casula, sem cíngulo, sem amito, substituindo-os por um simplório conjunto de túnica e estola?

Clérigos, até bispos, que desprezam o latim, o canto gregoriano, a polifonia sacra, o órgão, o incenso? Que identificam “Missa em latim” com o rito antigo? Que, ademais, têm como que um ódio mortal a esse rito antigo, e mesmo ao novo celebrado de acordo com as rubricas? Sacerdotes e fiéis que preferem as passageiras e profanas novidades às sadias tradições? Que rechaçam as normas que chegam de Roma, e desobedecem descaradamente, fazendo celebrar a Missa do jeito que querem?

Até quando teremos de aturar procissões que mais parecem passeatas políticas? Bandeiras políticas no lugar nos estandartes das antigas confrarias? Discursos da moda em vez de um sermão sobre coisas espirituais?

Até quando teremos de aturar um Conselho Indigenista Missionário que não catequiza os índios?

Uma Comissão Pastoral da Terra que, em vez de pregar a Doutrina Social da Igreja, insufla o MST e outros grupelhos comunistas safados a atacar a propriedade privada? Uma Pastoral da Juventude que nada mais é do que célula avançada do PT e do PSOL nas fileiras de nossos grupos de jovens?

Até quando teremos que aturar o sumiço da teologia católica, destronada por uma péssima formação em nossos seminários, verdadeiras fábricas de comunistas? Que se preocupam mais em ensinar sociologia religiosa do que doutrina? Relativização da verdade do que autêntica filosofia? Bagunça na Missa do que liturgia correta? Boff do que Tomás de Aquino? Küng do que patrística? Teólogos duvidosos e politicamente corretos do que o Magistério?

Até quando teremos que aturar a troca da caridade pelo assistencialismo politicamente esquerdista? E as irmãs de caridade se converterem em assistentes sociais? E as irmãs contemplativas abandonarem seus conventos e afrouxarem no cumprimento da regra?

Até quando teremos que aturar a Campanha da Fraternidade nublando a Quaresma? Reflexões políticas em vez de práticas piedosas? Cânticos socialistas em vez da clássica hinologia católica? Via Sacra sendo corrida por orações imbecis?

Até quando teremos que aturar os documentos que chegam de Roma sendo ignorados ou distorcidos, enquanto análises de conjuntura e discursos vazios sobre a água, as florestas, os amigos, a paz, os coelhinhos e o arco-íris são promovidos em nossos púlpitos como se doutrina católica fossem?

Até quando teremos de aturar desobediências ao Papa promovidas por freiras, frades, padres, bispos e líderes do laicato?

Até quando teremos de aturar defesas do aborto, das práticas homossexuais, da Teologia da Libertação, do socialismo, da insubordinação, feitas por membros da Igreja?
Até quando teremos de aturar nossas lindas igrejas e altares serem profanados pela feiúra e pelo iconoclasmo?

Até quando teremos de aturar o sentimentalismo e o relativismo tomarem de assalto o lugar que era próprio da razão e da fé objetiva?

Até quando teremos de aturar a Fé Católica sequestrada por quem deveria ser seu defensor?
Até quando?

Alguns motivos para o Latim na Missa

Não se quer acabar com o vernáculo. Apenas o Papa quer incentivar a que se façam mais Missas na língua oficial da Igreja. No que está coberto de razão.


Alguns vêem isso com maus olhos, como se fosse algo terrível o cultivo das mais caras tradições da Igreja. É justamente a falta de tradição que dificulta a formação dos católicos.

Durante centenas de anos, celebrou-se a Missa em latim, e o povo não deixou a Igreja por isso. Há fortes razões teológicas, pastorais e litúrgicas para que se celebre em latim (sem deixar de celebrar em português; não é uma oposição, podendo-se celebrar em ambos os idiomas).

Conheço pessoas bem simples, de pouca instrução, que assistem a Missa em latim (seja no rito tridentino, seja no rito novo). E com muito proveito espiritual!

Participar da Missa é unir-se a Cristo, ao seu sacrifício, não necessariamente entender cada palavra proferida ou responder a cada oração.

Mas a Missa em latim não catequizará o povo – é o que dizem alguns...

Ocorre que Missa não é catequese. Missa em latim. Catequese em português. Nunca se deu catequese em latim (salvo para os que o entendem). Somos catequizados pelos meios de catequese: livros, aulas, a homilia na Missa, tudo isso em português.

O único modo pelo qual podemos entender a Missa como catequese é considerando-a em suas cerimônias como algo que nos ensina, passo a passo, os mistérios da fé. Se é assim, há mais um argumento a favor do latim: o uso de uma outra língua, distinta da comum, demonstra que estamos diante de algo sagrado. E isso é catequese. A melhor de todas: a que mostra que a Missa não é show, é sacrifício, e diante do sacrifício não importa que entendamos as palavras, mas o que elas, em seu conjunto, significam.

O latim, por ser língua morta, está protegido das constantes mudanças de significado dos idiomas vivos e, por isso, preserva de modo muito mais eficaz o correto entendimento da doutrina. As línguas modernas assumem significados cada vez mais diversos para seus vocábulos. Hoje, uma palavra tem um sentido, amanhã a mesma terá outro. Como o latim é uma língua morta, isso não ocorre. As palavras terão sempre o mesmo sentido, e assim a doutrina é corretamente transmitida, diminuindo a possibilidade de maus entendidos.

“O uso da Língua Latina é um claro e nobre indício de unidade e um eficaz antídoto contra todas as corruptelas da pura doutrina.” (Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei)

Além disso, o uso de um idioma diferente do que estamos acostumados mostra que a liturgia é algo sacro. O latim demonstraria que estamos em outro clima, em outra atmosfera. Mostraria a solenidade do momento. E isso é importante para bem compreendermos a liturgia. Imagina, estás falando em português o todo tempo. De repente, chegas na igreja, e começa o culto: "In nomine Patris et Filio et Spiritus Sanctus". Já estás em outro local. É o céu na terra. Até a língua muda!

O latim, portanto, fala muito à alma. Na Missa não precisamos entender as palavras, precisamos entender é o que está acontecendo.

De outra sorte, pergunto: é preciso que o povo entenda as PALAVRAS da Missa? Não! O que é preciso é entender a PRÓPRIA Missa! Todos entendemos todas as palavras da Missa? Claro que não. Há muitas passagens de altíssima teologia, que quase ninguém entende.

Mas isso não nos impede de colher frutos da Missa. Se o entendimento das palavras da Missa fosse necessário para cresceres espiritualmente e para apreenderes os frutos da liturgia, então só doutores em teologia iriam à Missa, só eles se beneficiariam.

Muitos analfabetos, que nem sequer sabiam seu idioma direito, iam à Missa em latim e se santificavam na Idade Média, e até poucos anos. Por acaso, eles se afastaram da Igreja por não entenderem latim? Pelo contrário, se santificaram!

Importa entender que a Missa é o Sacrifício da Cruz e nos unirmos a esse ato sublime. Não importa entender o que as palavras da Missa dizem. Ajuda? Sim, pode ajudar, mas importar não importa. E quem quiser acompanhar as palavras pode decorar a Missa em latim, como decora o português, e ainda acompanhar pelos missais e folhetinhos.

O latim, ademais, nos mostra a pertença a uma Igreja maior, universal, que fala a mesma língua. Se tivermos Missa em latim em todas as igrejas (ao lado da Missa em vernáculo), então sempre que estivermos em qualquer lugar do mundo, poderemos ir numa Missa que entenderemos, pois estaremos acostumados.

O motivo de muitos não gostarem do latim é por não terem entendido o que é a Missa, ainda. A Missa é PARA DEUS, não para os homens. Não somos nós que temos de entender as palavras, mas Deus.

Não valorizar a tradição representada pelo latim, por outro lado, é não entender nada da fé católica. Uma Missa em latim evoca a universalidade da Igreja, e mostra que a Igreja tem dois mil anos. Nossa fé não nasceu ontem. Estar em uma Missa em latim mostra-nos que estamos juntos naquilo que os santos viveram.

“O Latim exprime de maneira palmar e sensível a unidade e a universalidade da Igreja.” (Sua Santidade, o Papa João Paulo I, Discurso ao Clero Romano)

E quem não gostar do latim ou não entender sua importância, não compreender seu significado no rito?

Ora, os menos esclarecidos estão saindo da Igreja por falta de formação. Por não entenderem o simbolismo litúrgico. E por causa disso, então, vamos acabar com o simbolismo, só porque eles não entendem?

Então, se muitos não entendem as letras, vamos fazer o que? Acabar com o alfabeto? Pelo contrário, vamos alfabetizá-los!

Aos que não entendem a doutrina, vamos explicá-la. Aos que não entendem os símbolos, vamos ensinar a lê-los. Em vez de acabar com o latim, vamos
mostrar a importância!
Enfim, o maior uso do latim desperta nas pessoas mais reverência, mais entendimento do que realmente seja a Santa Missa, mais respeito e amor pela Eucaristia.

Cabe lembrar que quando falamos “Missa em latim” não estamos nos referindo necessariamente à chamada “Missa tridentina”, o rito tradicional, forma extraordinária do rito romano, que utiliza o Missal de São Pio V. Não. Também a “Missa nova”, o rito moderno, forma ordinária do rito romano, segundo o Missal de Paulo VI, a mesma que utilizamos na maioria de nossas igrejas, pode ser feita em latim. Na verdade, o normal é que tivéssemos uma Missa em latim no rito moderno ao menos semanalmente em todas as paróquias.

Diferenças entre o Rito Novo e o Rito Trindentino

Em primeiro lugar, o rito romano é um só. Há duas formas de celebrá-lo: a tradicional (ou tridentina, ou clássica, ou "de São Pio V") e a reformada (ou nova, ou renovada, ou "de Paulo VI"). Claro que podemos chamar de rito tradicional e de rito novo, por extensão, mas, tecnicamente, ambos são formas de um mesmo rito, o romano.

Aliás, esse rito romano admite um outro tipo particular, qual seja o chamado Uso Anglicano, oriundo da provisão pastoral dada pelo Papa às paróquias de ex-anglicanos que retornaram à comunhão com Roma nos Estados Unidos e na Inglaterra. É uma mescla do rito romano tradicional com elementos da liturgia celta, aproximando-se bastante da estrutura litúrgica anglicana. Além disso, existem variações particulares do rito romano para certos grupos: o uso cartusiano, o uso dominicano, o uso beneditino (com uma Liturgia das Horas estruturada de outra forma) e mesmo as pecualiaridades litúrgicas do Caminho Neocatecumenal, aprovadas ad experimentum pela Santa Sé.

Dito isto, vejamos algumas diferenças entre o rito romano anterior à reforma de Paulo VI e o atualmente em vigor.

O calendário litúrgico é distinto em ambas as formas, com mudanças de data na comemoração de alguns santos. Embora a estrutura siga o esquema da divisão em Próprio do Tempo e Próprio dos Santos, há pequenas modificações no modo de se fazer a combinação entre ambos. Mesmo no Próprio do Tempo, em que se mantém a divisão clássica dos tempos litúrgicos, há variações: o antigo "Tempo depois de Pentecostes" e o "Tempo depois da Epifania" são hoje o chamado "Tempo Comum". Algumas festividades foram mudadas de seu dia também. Não só isso, mesmo a graduação das festas mudou, sendo hoje a divisão bem mais simples, o que é um ponto positivo da reforma litúrgica.

O modo de se combinar certos rito com a Missa foi modificado igualmente. E também o Ofício Divino mudou: suprimiu-se a hora de Prima, e as Matinas passaram a se chamar Ofício das Leituras, podendo ser recitado a qualquer hora. A distribuição dos salmos no Saltério seguiu um esquema de quatro semanas, e vários textos do Ordinário foram mudados, em que pese a essência permanecer a mesma. Uma grande riqueza foi acrescentada no Próprio, notadamente no Ofício das Leituras, com farta citação patrística. Tanto é assim que, no rito antigo, era um só breviário e, no rito novo, agora são quatro volumes!

Já na Missa mesmo, algumas distinções:


a) no rito antigo, a celebração começava com as orações ao pé do altar, logo após a procissão de entrada, seguindo-se o Confiteor, o Introitus, o Kyrie e o Gloria; já no rito novo, não há as orações ao pé do altar, havendo, após a procissão, o Introitus (se não foi cantado durante a procissão), o Confiteor, o Kyrie e o Gloria, mudando, então a ordem;
b) o próprio Confiteor era dito de uma outra forma, um pouco mais longa, e sempre duas vezes, uma pelo sacerdote, outra pelo povo; hoje é só uma;
c) após a absolvição que se seguia ao Confiteor, o sacerdote recitava uma outra fórmula, pela reforma suprimida, em que clamava o perdão e a indulgência dos pecados, durante a qual os fiéis se persignavam;
d) havia um só modo de recitar o ato penitencial, qual seja o Confiteor, e hoje há três: o Confiteor, o "Tende misericórdia" e um Kyrie seguido de tropários;
e) como o ato penitencial era sempre o Confiteor, o Kyrie sempre se dizia, mas hoje ele é dito salvo quando houver, no ato penitencial, a fórmula com o Kyrie e seus tropários;
f) o Kyrie continha nove invocações e hoje tem seis, salvo quando, cantado em gregoriano, a melodia obriga às nove;
g) o Gloria era sempre dito, exceto na Quaresma, Advento e Missas pelos defuntos; hoje só em Domingos, Solenidades, festas e quando há alguma ocasião especial (formaturas, ação de graças), sendo, igualmente, suprimido naqueles tempos;
h) como o calendário litúrgico é distinto em ambas as formas, as leituras nem sempre coincidem;
i) aliás, havia sempre uma só leitura, o salmo, o aleluia e o Evangelho, e hoje só é assim nos dias feriais, nas festas e memórias, dado que nos Domingos e Solenidades, há mais uma leitura, o que é uma grande riqueza;
j) as leituras eram distribuídas em um lecionário de um ano apenas, e hoje, no rito novo, o lecionário dominical é trienal e o ferial bienal, aumentando, consideravelmente, as leituras bíblicas;
k) no rito antigo não havia as preces dos fiéis, sendo tal prática restaurada pelo rito novo;
l) o Credo era sempre o Niceno, e hoje pode-se usar tanto o Niceno quanto o Apostólico;
m) o Ofertório era maior, com as orações ditas em voz baixa; a antífona do Ofertório era obrigatória; hoje, o Ofertório é mais simples, e a antífona é apenas uma opção, podendo ser cantado algum hino ou mesmo ser dito o Ofertório em voz alta; as preces para o Lavabo são distintas, mas o "De coração contrito" é o mesmo em ambas as formas;
n) a Oração Eucarística era apenas o Cânon Romano e hoje temos, além dele, mais três que constam do Missal Romano, sem contar as duas para diversas necessidades, aquelas próprias para Missas com Crianças e outras que foram anexadas;
o) o Pai Nosso era dito em pelo sacerdote, e o povo apenas repetia a última frase; hoje é dito por todos;
p) a Comunhão era dada obrigatoriamente na boca e estando o fiel de joelhos; se bem que essa é a forma mais correta e mais louvável de se comungar, resta lícita a prática da Comunhão na mão ou, ainda que na boca, de joelhos;
q) a concelebração só existia na Missa do Crisma e nas Ordenações; hoje pode-se sempre concelebrar;
r) era obrigatório o uso do manípulo; hoje esse paramento é facultativo;
s) a bênção era dada após o "Ite, Missa est", e hoje a ordem se inverteu;
t) após os ritos finais, o sacerdote lia o Último Evangelho, i.e., o Prólogo do Evangelho de São João, cerimônia que foi suprimida no rito novo;
u) não só o Ordinário da Missa (a parte fixa, isso que até agora comentamos) foi modificado, com cerimônias alteradas, outras suprimidas e ainda algumas outras acrescentadas; também o Próprio da Missa (a parte variável) sofreu alterações: a Coleta, a Oração sobre as Oferendas, a Pós Comunhão, o Prefácio e as Antífonas foram aumentadas, outras alteradas, resgatando-se textos medievais e patrísticos riquíssimos;
v) muitos formulários de Missa foram acrescentados: Missas para diversas necessidades, Missas votivas, Missas rituais, Próprios de Santos, Comuns de Santos etc;
w) o rito antigo era obrigatório em latim, exceto a Liturgia da Palavra - que pode ser feita em vernáculo -, e o novo pode ser todo em latim ou em vernáculo;
x) a posição do sacerdote no rito antigo era "versus Deum", e no rito novo pode ser "versus Deum", "versus populum" (a mais comum) ou mesmo um misto entre ambas ("versus Deum" na Liturgia Eucarística e "versus populum" na Liturgia da Palavra);
y) o incenso estava reservado para as Missas Cantadas e para as Missas Solenes, e hoje qualquer Missa pode ter incenso.

Enfim, os livros litúrgicos mudaram, permanecendo, entretanto, as características básicas. Para alguns críticos, trata-se de um outro rito, fabricado, mas há uma certa continuidade, sim. Poderia melhorar nesse ponto, com mais naturalidade no desenvolvimento do rito, e sobre isso comentamos na resposta que está em: http://www.veritatis.com.br/article/4108

Para uma comparação entre os dois ritos, veja o seguinte documento: http://www.salve-regina.com/Liturgie/Synopsis_Ritus_Romanus.pdf . Também recomendo o site: http://www.catholicliturgy.com . Nele há os Ordinários para as duas formas do rito romano.